quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Cumprir Quioto sai-nos do bolso

CARBONO Metas obrigatórias vão ser ultrapassadas por Portugal no período de 2008-2012. A solução é comprar créditos de emissão.

Qualquer semelhança com o frenesim de uma bolsa financeira é pura coincidência. No mercado do carbono não há corretores a gesticular ou a dar ordens aos berros. Um dia movimentado significa, na melhor das hipóteses, três transacções de compra e venda. “O mercado está a bater no fundo”, explica Rui Dinis, da consultora E.Value. Em Janeiro, o preço do carbono caiu a pique até aos €3,5 por tonelada, quando há um ano atingiu mais de €20. Pior: o ano de 2007 deverá fechar com os gráficos demasiado próximos dos zero euros. Para o gestor, há uma explicação para o fenómeno: “Os industriais viram este mercado como uma obrigação ambientalista e não como uma oportunidade de negócio”.
Quando o mercado de carbono deu o tiro de partida, há dois anos, havia a expectativa de que os empresários portugueses acordassem para a ‘economia verde’ e percebessem que lhes sairia mais barato - e ao país - comprar créditos de emissões de dióxido de carbono (CO2) do que ter, no futuro, de pagar multas por poluição em excesso perante as metas de Quioto.
Porém, o facto de terem recebido licenças generosas da União Europeia fez com que não atingissem os tectos a que estavam obrigados. E em vez de comprarem, venderam. “Houve excesso de oferta de licenças”, corrobora Ricardo Moita, consultor da EcoProgresso, outra consultora ambiental. “Temos esperança que com o novo Plano Nacional de Alocação de Licenças de Emissões (PNALE II), que irá começar em 2008, haja mais operações”.
Esta ideia é partilhada pelo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, que admite que o PNALE de 2005-07 foi “experimental”. Mas advoga que o novo plano, ainda à espera de aprovação de Bruxelas, é “mais restritivo”. Se por um lado corta em três milhões de toneladas as licenças das indústrias mais poluentes (centrais termoeléctricas, cimenteiras e vidreiras), por outro concede uma reserva de 5,1 milhões para novas indústrias.
O Governo calcula que o défice de emissões de CO2 entre 2008 e 2012 atinja 5,8 milhões de toneladas, o que nos afastaria das metas de Quioto. Porém, este défice pode ser colmatado se o Estado comprar créditos de emissões ou investir em projectos não poluentes em países menos desenvolvidos. “Temos de cumprir Quioto ao melhor preço. O que não for alcançado com medidas internas, que reduzam as nossas emissões, será adquirido através do Fundo Português de Carbono, nomeadamente na compra de créditos”, assegura o secretário de Estado. Para tal, e de acordo com as regras do Protocolo, Portugal deverá usar o dinheiro do Fundo. Este começou com €6 milhões e deve atingir €350 milhões em 2012, ‘alimentado’, por exemplo, pelas taxas sobre as lâmpadas de baixa eficiência ou com o aumento do preço do gasóleo para aquecimento.
O Governo tenciona abrir brevemente um concurso público para aquisição de créditos através de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). Ou seja, as empresas portuguesas que queiram investir em projectos ‘verdes’ em países como o Brasil, Angola ou Marrocos farão as suas propostas e as vencedoras contarão com verbas do Fundo.
A novidade surge depois de críticas ao Executivo, que tardava em avançar com projectos MDL nos países de língua portuguesa, quando Espanha e Itália já lá estão.
Todos pagamos a factura
Na lista negra das principais poluidoras portuguesas estão as centrais termoeléctricas, com a de Sines à cabeça. Só em 2005, esta foi responsável pela emissão de 8,5 milhões de toneladas de CO2 - mais 750 mil do que tinha direito. “Quem paga a nossa compra de créditos de emissão é a Rede Eléctrica Nacional (REN) que acaba por repercutir nas tarifas ao consumidor”, refere Rui Cabrita, do Gabinete de Comunicação da EDP. A empresa investiu €42 milhões em fundos do Banco Mundial e da NatSource, o que lhes rendeu 5,3 milhões de toneladas de CO2 de crédito. A estes somam-se dois milhões de toneladas adquiridos através do comércio europeu de emissões.
Para reduzir as emissões, a EDP tem investido nas energias renováveis, nomeadamente nos parques eólicos e no reforço das centrais hídricas. Aliás, estas são medidas que vão ao encontro do Plano de Nacional de Alterações Climáticas (PNAC), previstas pelo Governo. E reforçadas na semana passada por José Sócrates. Entre elas, o aumento de 39 para 45% da meta de energia consumida a partir de renováveis, em 2010, o reforço para 10% do uso de biocombustíveis nos próximos três anos, ou o fecho das centrais termoeléctricas do Carregado, Barreiro e Tunes. “Estas medidas estão muito aquém do desejado e algumas delas são mesmo de aplicação duvidosa”, critica o líder da Quercus, Francisco Ferreira, que considera haver uma aposta em excesso na área da energia, e em défice nos transportes.

A LISTA NEGRA DAS POLUENTES

  • Central Térmica de Sines: 7,8 milhões de toneladas de CO2 (excesso de 750 mil toneladas das licenças que detinha)
  • Central Termoeléctrica do Pego: 3,8 milhões de toneladas de CO2 (excesso de 380 mil toneladas)
  • Central Termoeléctrica de Setúbal: 2,6 milhões de toneladas de CO2 (excesso de 220 mil toneladas)
  • Central da Tapada do Outeiro: 2,6 milhões de toneladas de CO2
  • Refinaria de Sines: 2,5 milhões de toneladas de CO2
  • Central Termoeléctrica do Ribatejo: 2 milhões de toneladas de CO2
in Expresso, 3 de Fevereiro de 2007

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O Padre Himalaya - Um Português extraordinário

Padre Himalaya - um cientista, natural de Cendufe, Arcos de Valdevez que viveu entre 1868 e 1933. "Interessou-se pelas energias renováveis e por processos de organização territorial, nomeadamente sistemas de irrigação, plantação de árvores e sistemas urbanos que antecedem as preocupações actuais em torno do que se chama hoje o ecodesenvolvimento."

Inventor genial, expôs o seu invento, o "pirelióforo" (forno solar que permitia atingir os 3.800º C) na Feira em St. Louis (EUA), em 1904, tendo sido premiado e amplamente divulgado através da imprensa. Fez muitas outras investigações e manteve contacto com cientistas estrangeiros.

Foi pouco compreendido na sua época e a história manteve sobre ele um silência incompreensível. O professor Jacinto Rodrigues no entanto levou a cabo uma profunda pesquisa biográfica que está registada em livro e filme:Rodrigues, Jacinto, "A conspiração Solar do Padre Himalaya", Porto, Cooperativa Árvore, 1999.

Como prova de que os grandes vultos do passado podem inspirar as novas gerações, temos actualmente o Concurso Solar "Padre Himalaya" (Edição 2007) "que tem por objectivo promover a divulgação das energias renováveis junto das camadas mais jovens da população, através do envolvimento em actividades de projecto que façam uso de princípios científicos e das suas aplicações tecnológicas, que estimulem o gosto pela actividade experimental e promovam a aquisição de hábitos de cidadania conducentes a um uso mais racional dos recursos energéticos do nosso planeta." http://www.cienciaviva.pt/rede/himalaya/home/

Fonte: "www.portugalmaispositivo.com"

EDP investe 2,63 mil milhões na energia eólica até 2010

A EDP vai investir 2,63 mil milhões de euros, até 2010, na expansão da capacidade eólica, o que coloca as energias renováveis no topo das áreas em que a empresa portuguesa mais vai investir nos próximos quatro anos.

O objectivo da EDP é triplicar a capacidade instalada eólica na Europa, até 2010, com base no pipeline ibérico e na expansão para França e Bélgica, de acordo com o Plano de Negócios da empresa divulgado hoje.

A empresa liderada por António Mexia quer aumentar a capacidade bruta eólica de 1.568 MW, em 2006, para 4.200 MW em 2010. Estes valores representam crescimentos de 66%, em Espanha, de 22% em Portugal e de 12% noutros mercados.

O investimento de capital em capacidade eólica deverá atingir os 2.630 milhões de euros até 2010, dos quais 290 milhões de euros em Portugal, 1.710 milhões em Espanha e 630 milhões noutros mercados.

"A EDP está a procurar de forma pró-activa oportunidades internacionais em energia eólica", segundo o Plano de Negócios publicado na CMVM. A empresa aponta como mercados prioritários, considerados atractivos em termos de estabilidade, rentabilidade e potencial de crescimento, França, onde já tem presença, Itália e possivelmente Reino Unido e Polónia.

Além disso a EDP quer também entrar no mercado norte-americano através da aquisição de promotores eólicos locais e possivelmente da contratação de equipas locais com experiência para crescimento em projectos "greenfield".

Actualmente a EDP tem presença internacional, no segmento das energias renováveis, em Espanha, França e Bélgica.

EDP investe 280 milhões noutras energias renováveis

A EDP prevê ainda um investimento de 280 milhões de euros nas outras energias renováveis, nomeadamente biomassa e solar.

A biomassa deverá receber 136 milhões de euros, até 2010 e a energia solar 144 milhões de euros, de acordo com os objectivos divulgados hoje.

Actualmente a EDP já tem capacidade instalada na biomassa e prevê um crescimento de 22 MW em 2007 para 115 MW em 2010.

Na solar o objectivo é atingir os 50 MW, em 2010, através de uma nova capacidade em Granada, Espanha.

A empresa tem ainda em curso um projecto de investigação e desenvolvimento destinado à utlização das ondas como forma de energia.

Fonte : "Jornal de Negócios Online"


terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Eólica caseira

Existem várias formas de se poder poupar energia, mais que não seja para reduzir a nossa factura ao fim do mês. A energia eólica, como é sabido, é uma forma de energia que pode ser convertido em energia eléctrica. É uma boa solução para o espectro das energia renováveis, tendo-se já instalado em todo o mundo uma potência total de 58 982 MW (World Wind Energy Association 2005). No entanto á parte de estes valores astronómicos podemos nós próprios fazer o aproveitamento desta energia que é o vento, energia que é tão vasta. Aqui e aqui poderão aprender como fazer a vossa própria turbina eólica. Neste vídeo pode-se ver uma turbina eólica de eixo vertical, aparentemente do tipo "Darrieus", instalada no terraço de uma habitação. É importante, no entanto, salientar que estas soluções caseiras são relativamente fáceis de as meter a produzir energia eléctrica. A dificuldade é a qualidade dessa energia eléctrica. Portanto nunca é demais chamar á atenção que é necessário filtros electrónicos que permitem corrigir estes problemas. Há que tomar em conta o tipo de aplicação que se pretende e no qual se pode aproveitar esta energia. UPDATE: Turbina eólica caseira

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Nuclear, sim. Obrigado!

Comissão apresenta plano de acção energética
Sob o signo da "crise do gás", a Comissão Europeia apresenta esta quarta-feira o seu plano de acção energética. Os comissários revelam-se acérrimos defensores da energia nuclear.

A energia nuclear surge como “uma das opções disponíveis” para reduzir as emissões de dióxido de carbono

Reduzir as emissões de gases de efeito estufa, diminuir a dependência energética da União Europeia (UE), incentivar o uso de energias renováveis e estimular a concorrência nos mercados comunitários do gás e da electricidade. Estas são as principais vertentes do plano de acção energética que a Comissão Europeia apresenta esta quarta-feira, que assume ainda uma defesa clara das virtudes da energia nuclear.

O colégio de comissários deverá propor que os 27 assumam unilateralmente o objectivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 20% até 2012 (tendo por referência os níveis de 1990). No quadro do Protocolo de Quioto, os países desenvolvidos assumiram o compromisso de reduzir estas emissões em 5% até 2012, embora a meta europeia já fosse mais ambiciosa (8%).

O desenvolvimento de uma política energética comum é apontado como uma prioridade pela União desde finais de 2005 e conheceu um grande impulso depois da “crise do gás” no início da ano passado, que envolveu a Rússia e a Ucrânia e acabou por afectar vários países europeus. A actual “crise do petróleo” entre a Rússia e a Bielorússia, que também está a afectar o aprovisionamento de alguns Estados-membros ilustra a actualidade do tema.

Também em relação às energias renováveis a Comissão pretende que os Estados-membros assumam compromissos concretos e vinculativos. Bruxelas defende que as energias alternativas constituam, também em 2020, 20% do consumo energético total da União, quase o triplo dos actuais 7%. Uma meta definida como “possível e desejável”, apesar de a Comissão admitir que “é improvável” que o objectivo de 12% em 2010 seja alcançado. Todas estas propostas terão que receber a luz verde dos governos da União, devendo ser discutidas pelos chefes de Estado e de governo dos 27 no próximo Conselho Europeu, em Março.

Sem nunca defender abertamente a sua utilização, ressalvando que a escolha do “mix” energético corresponde a cada país, Bruxelas apresenta no âmbito deste “pacote” um relatório dedicado à energia nuclear que apenas encontra vantagens neste tipo de energia.

A começar pelas vantagens ambientais, pois “a menos que algo seja feito”, lê-se no documento dedicado à energia nuclear, a emissão de gases de efeito estufa aumentará mais 5% até 2012, o que entra “em conflito directo” com os objectivos de Quioto, (que previa uma redução de 8% no mesmo período). Neste contexto, a energia nuclear surge como “uma das opções disponíveis” para reduzir as emissões de dióxido de carbono, uma vez que já é “a principal fonte de energia livre de emissões de CO2”.

A Comissão sublinha ainda que nos próximos 20-30 anos a União vai importar 70% das suas necessidades energéticas, principalmente de gás e petróleo, cujos preços “quase duplicaram nos últimos dois anos”. E defende a importância da energia nuclear como garantia na segurança do aprovisionamento e como resposta à necessidade de diversificação, cuja matéria-prima (o urânio) é produzido em regiões “estáveis” e cujo preço é menos vulnerável às variações do mercado.

Expresso, 10 de Janeiro de 2007

domingo, 24 de dezembro de 2006

Boas Festas

Em nome dos membros deste blog, votos de um Santo e Feliz Natal e de um próspero Ano Novo 2007.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Mexia considera natural que Iberdrola reequacione EDP

Iberdrola leva para Espanha mais-valias potenciais de 300 milhões de euros se vender a EDP
O presidente da Comissão Executiva da EDP, António Mexia considera natural que a Iberdrola reequacione a sua presença na empresa portuguesa, após a oferta de compra da Scottish & Power, que, em caso de sucesso, transforma a Iberdrola na terceira maior energética da Europa.
Questionado no início da semana durante um evento para anunciar a nova estratégia de patrocínios e mecenato da EDP, Mexia disse que “é natural que a Iberdrola ou qualquer accionista em cada momento reavalie aquilo que considera serem os seus interesses e as suas prioridades”. O gestor sublinhou, contudo, que ainda nada lhe foi comunicado. Confrontado com estas afirmações, o representante da Iberdrola em Portugal, Joaquim Pina Moura, recusou-se a fazer comentários às intenções dos espanhóis face à EDP.

O tema da permanência, ou não, da Iberdrola no capital da EDP está sobre a mesa desde que analistas financeiros consideraram que a venda das posições do grupo espanhol na Galp e na EDP reduziriam as necessidades de financiamento geradas pela aquisição da Scottish.

As declarações do presidente da Iberdrola, Ignácio Galán, no momento em que a OPA sobre a Scottish avançou para o mercado não dão, no entanto, sinais de que esteja satisfeito na sua ânsia de crescimento. É notório que a Iberdrola tenta conquistar maior dimensão, de forma a dificultar uma ofensiva de outro concorrente sobre o seu capital.

Galán disse, na altura, que a integração do grupo escocês facilitará uma fusão com outra empresa espanhola, como, por exemplo, a Unión Fenosa. A argumentação é que, após a compra da Scottish, uma operação de aquisição ibérica terá de ser considerada, não como nacional, mas avaliada pela Comissão Europeia. O gestor disse ainda que a Iberdrola “está aberta” a analisar qualquer possibilidade capaz de criar valor para o grupo.

Todas as opções estão a ser analisadas, mas é certo que, se alienada a preços actuais, a EDP geraria para a Iberdrola mais-valias potenciais de cerca de 300 milhões de euros. Para o grupo espanhol, a EDP passou a ter uma importância relativa, a partir do momento em que avançou para a Scottish & Power e que a aproximação da Fenosa ficou facilitada. Para completar o cenário, uma maior participação da Iberdrola na actividade corrente da EDP não é vista com bons olhos por parte de alguns representantes do Executivo, alguns nem pela administração da empresa. Impedida de participar na Comissão Executiva e como decidiu não ter, para já, qualquer representante no Conselho Geral e de Supervisão, a Iberdrola não consegue articular de forma produtiva a sua actividade com a da EDP.

Apesar de já terem sido realizadas algumas reuniões entre membros da Iberdrola e da EDP (já aconteceram, inclusive, encontros entre Joaquim Pina Moura e António de Almeida, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP), estas não foram produtivas. As reuniões visam encontrar formas de gerar sinergias entre as empresas, sobretudo, nas energias renováveis, gás e no Brasil.

Assim, com a sua presença na EDP num impasse, a venda da posição da Iberdrola será uma hipótese a considerar. O problema da EDP. É que, à semelhança do que acontece com a Telefónica na Portugal Telecom, serão os espanhóis a decidir quando, como e a quem vão alienar os 9,5% que detêm no capital da eléctrica portuguesa.

No Brasil para inaugurar a centrar eléctrica de Peixe Angical, António Mexia criticou a regulamentação fiscal espanhola e, a propósito da compra da Scottish pela Iberdrola, afirmou que, indirectamente, serão os contribuintes espanhóis a pagar a operação de expansão. Em causa estarão impostos que não chegarão a ser pagos pela empresa espanhola. Mexia, citado pelo jornal espanhol “Expansión” afirmou que a operação tem sentido estratégico para os accionistas da Iberdrola. Estes comentários terão sido mal recebidos pelo Executivo de Zapatero.

Christiana Martins, in Caderno de Economia, Expresso, 8 de Dezembro de 2006

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Novas células solares duplicam rendimento

O laboratório da Boeing, Spectrolab, anunciou uma nova tecnologia que dobra a eficiência das células solares.
As células são usadas em painéis para captar a energia do sol e transformá-la em electricidade. Actualmente, células deste tipo são capazes de converter, em média, 22% da luz que recebem. A Boeing anunciou ter fabricado um novo composto de silício capaz de funcionar em camada dupla. Na prática, a tecnologia dobra a superfície de recepção de luz solar, o que permitiu a painéis de teste da Boeing transformar em energia 41% da luz que receberam.
De acordo com o Spectrolab, esta é a primeira vez que um experimento ultrapassa a barreira dos 40% em conversão de luz em energia eléctrica. O projecto foi financiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.
Ao duplicar a área de recepção de luz com o método de células em camadas, o Spectrolab espera poder criar alternativas para levar a energia solar a equipamentos de pequeno tamanho, como telemóveis e PDA.
Uma das maiores dificuldades neste tipo de tecnologia é isolar o calor recebido pela célula solar dos componentes electrónicos contidos nos objectos. O calor excessivo é capaz de danificar os equipamentos.
Via.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Energia Solar - Australia

Situada no deserto da Austrália, esta fábrica de energia solar será a mais alta construção do mundo e também a mais ambiciosa obra para gerar electricidade a partir de uma fonte não poluente.
O maior projecto de produção de energia solar do planeta está a ser contruído em Mildura, no meio do deserto australiano. Uma torre de 1 km de altura por 130 m de diâmetro, que será a mais alta construção do mundo quando ficar pronta, em 2009; será erguida no centro de um imenso painel solar, de 20 km quadrados.
Se tudo correr como o previsto, o calor gerado pelo painel formará uma corrente de ar de até 50 km/h na enorme chaminé, o bastante para movimentar 32 turbinas, gerar 200 megawatts de energia e abastecer até 1 milhão de pessoas.
O gigantismo do projecto dá uma ideia de quanto as fontes renováveis, como o sol e os ventos, começam a merecer atenção e a tornarem-se viáveis.
O filme é de aproximadamente 3 minutos e vale a pena ser visto.
Via.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Fusão Nuclear - Sonho prestes a realizar?

Foi assinado semana passada o acordo que estabelece a organização internacional que vai construir e gerir o ITER. Iter (International Thermonuclear Experimental Reactor) Reactor experimental que irá tentar reproduzir na Terra a reacções nuclear que alimentam o Sol e outras estrelas. Irá consolidar todo o conhecimento adquirido ao longo de décadas de estudos. Se funcionar e se tornar práctico, a comunidade internacional irá construir um protótipo comercial e por ultimo espalhar pelo mundo. Os parceiros no projecto são a União Europeia (representada por EUROTOM), Japão, China, Índia, Coreia do Sul, Federação Russa e Estados Unidos da América. Será construído em Cadarache, Sul de França.

O que é a Fusão? A fusão é o principio de que energia pode ser libertada ao se juntar átomos ao invés de os separar, como no caso da fissão que alimenta as centrais nucleares de hoje. No centro do sol, uma enorme pressão gravitacional permite a fusão ocorrer a temperaturas de 10 milhões de graus Celsius. Mas na Terra devido à baixa pressão, as temperaturas terão que ser muito mais altas, cerca de 100 milhões de graus Celsius. Nenhum material na Terra consegue aguentar contacto directo com esta temperatura, assim para obter fusão, cientistas encontraram uma solução onde gás super-aquecido, ou seja plasma, é contido e espremido dentro um campo magnético em forma de “donut” - a câmara de plasma (como ilustrado na figura).
Quais as vantagens da fusão? O melhor combustível para a fusão consiste de dois tipos ou isótopos de hidrogénio, Deutério e triutério. O deutério pode ser obtido da água, o que é abundante, o triutério produzido a partir de lítio, é abundante na crosta terrestre. Ao contrario de combustíveis fosseis, reacções de fusão não produzem dióxido de carbono. Cientistas garantem também que o sistema é completamente seguro porque em caso de qualquer anomalia o sistema é prontamente desligado.
O que se espera de ITER? No ITER, cientistas irão estudar plasmas em condições similares aos que são esperado numa central de produção de electricidade a fusão. Gerará 500 MW durante periodos extensos de tempos e 10 vezes mais energia do que a introduzida para manter o plasma à temperatura correcta. Será assim a primeira experiência de fusão a realmente produzir energia eléctrica em grande escala. Irá também server como forma de testar muitas tecnologias como geração de calor, controlo, diagnostico, manutenção remota, que serão necessárias numa verdadeira central de energia. De forma a compreender a dimensão do reactor, um homem é pouco mais alto que o diâmetro de uma das tubagens no fundo do reactor.
Mais energia produzida que consumida? Em termos simplistas, sim. Isto é expresso em valores de Q, que é a quantidade de energia térmica proveniente de reacções de fusão a dividir por a quantidade de calor externo necessário para aquecimento. Se Q menor que 1, é necessário mais energia a aquecer o plasma que o calor produzido pela fusão. Os melhores resultados até hoje são de Q=0.65. O Objectivo de ITER é produzir Q=10 ou Q maior que 5, no caso do calor do plasma vir das próprias reacções de fusão.
O Iter irá produzir desperdício radioactivo? Sim, os neutrões produzidos de reacções de fusão poderão deteriorar os materiais usado nas paredes da câmara de plasma do Iter. Mas uma das tarefas do projecto é encontrar materiais que podem aguentar este bombardeamento. Os desperdícios serão seguros dentro de um tempo relativamente modesto (50-100 anos), comparado com os desperdícios de reactores nuclear de hoje que é muitos milhares de anos. Está calculado que a deterioração após funcionamento durante de 100 anos, Iter irá reter 6 toneladas de desperdício e quando empacotado será o equivalente a um cubo com arestas de 10m.
Quando será construído o Iter? Foi decidido em Junho de este ano, pelos parceiros do Iter, que construiriam o reactor em Cadarache no sul da França. Falta alguns progressos técnicos mas espera-se que ao fim deste ano terão já terminados para que Iter poder ser construído já no fim de 2005.
Quanto custará e como será financiado? Iter vai custar 5 mil milhões de euros durante a construção que durará 10 anos e uns outros estimado 5 mil milhões de euros durante mais 20 anos de funcionamento. UE e França contribuem com 50% da construção e outros 5 parceiros contribuem com 10 %. Como Japão aceitou o ITER ser construído na França, terá termos favoráveis e será construído um laboratório de pesquisas de materiais, metade da construção financiado pela UE e grande parte dos postos de trabalho estarão a cargo do Japão.
Quando será construido o primeiro reactor comercial? Não em breve. Espera-se que em 2016 se tenha o primeira plasma em ITER. Reactores experimentais já foram construídos como o Torus de Propulsão a Jacto (Jet) em Culham no Reino Unido e presentemente consome mais energia que produz. Muitos desafios científicos e na engenharia ainda por resolver até a tecnologia se tornar comercialmente viável. Um reactor comercial não é esperado antes de 2045 ou 2050, no entanto não há garantias do sucesso do Iter. Os “verdes” que lutaram longas campanhas contra fissão nuclear estão com duvidas quanto ao futuro e o Iter. Aclamam que os fundos gastos no Iter seriam melhor aproveitados em energia renováveis como eólico, ondas e solar para os quais muitas soluções técnicas já existem. Segundo um oficial da Academia Real Britânica de Engenharia, terão 50% de hipóteses de por o Iter a funcionar e será um desafio notável em termos de engenharia. Se funcionar haverá energia suficiente no mundo para durar 1000 ou 2000 anos.
Fonte: Aqui e mais info aqui e página do iter em http://www.iter.org/